03 abril 2014

Crônica: A Menina da Capa Amarela

http://4.bp.blogspot.com/-TtFOpA_rDe0/UnVYfLAqu4I/AAAAAAAAFuc/ZrgFKrFgrw4/s1600/1704.png 
Gente, fiz uma crônica pra vocês e pra mim e resolvi trazer. -q
Interpretem como quiserem, ok? É disso que eu gosto mesmo! ò-ó
Ah, e se leram, por favor opinem. Escritores gostam de ser encorajados.


 "Sentimentos que pulsam na noite, enquanto o frio paira sobre os corações das pessoas. Pensamentos condensam no ar e evaporam pelas gretas das janelas meio enferrujadas, transformando-se na névoa e no orvalho da manhã. As árvores baçançam deliciosamente ao som do vento, que canta uma melancólica melodia para todos aqueles que quiserem ouvir. Parece triste, mas é apenas o restolho de felicidade que os deixou cansados.
Uma garota põe sua capa de chuva amarela e sai silenciosamente de casa, carregando uma pequena mochila azul onde se encontram um celular e algumas bolachas. Tem uma fisionomia jovem, talvez entre os seus dez ou onze anos, e lábios rosa-avermelhados que brilham sob a luz do luar. A pele é pálida e ela parece assustada, sem tomar conhecimento de todos aqueles pensamentos que evaporam acima de si, e que mais tarde se transformarão na névoa e no orvalho da manhã.
Com cuidado, ela contorna a casa e desce o morro que está dentro dos limites do quintal. A pequena casa fica no alto de um morro, ou talvez mesmo de uma montanha verdejante, e durante uns bons quinze minutos ela luta para descer aos tropeções o lugar, indo parar no meio de um matagal. Se ela olhasse para baixo, notaria algumas joaninhas rastejando na grama alta, ou três borboletas alimentando-se dos restos de sentimentos que pairam na noite pousadas nas flores lilás, mas ela está concentrada. Abrindo caminho com as pequenas mãos por entre os arbustos, alcança uma grande pedra e sobe nela com cuidado, agarrando-se a pequenas fendas, sentando-se por cima. Dali, a vista da cidade iluminada ao longe é muito bonita, e pela primeira vez ela nota os pensamentos saindo pelas chaminés e gretas de janelas enferrujadas das casas e apartamentos.
A garota abre a mochila e tira de lá algumas das bolachas caseiras polvilhadas com açúcar, que começa a comer devagar. Joga algumas no chão, observando os besouros-come-doce juntarem todos ali e começarem a brigar pela comida. Finalmente, com as mãozinhas meio sujas de terra, tira o capuz amarelo da capa de chuva e podemos ver seu rosto delicado, com os cabelos castanhos presos delicadamente em duas tranças longas e a franja tapando parcialmente os olhos caramelo. O nariz arrebitado pontilhado por algumas sardas fareja o cheiro de terra úmida, que paira no ar tanto quanto os sentimentos e os pensamentos alheios daqueles que dormem. Agora pousadas em algumas violetas, as borboletas alaranjadas ainda se alimentam dos restos deles, observando as joaninhas alçarem voo ou dormirem ali mesmo, na grama fresca.
Ainda olhando para as luzes da cidade e para os pensamentos que condensam, a garota balança as pernas no ar, sacudindo as sapatilhas vermelhas, notando repentinamente que a meia-calça preta havia se rasgado no trajeto. Olha para a sua casa, cujos pensamentos também escapam pelas frestas e buracos, subindo aos céus e formando pequenas nuvens negras que pela manhã fariam chover sobre tudo, talvez numa brava tempestade de outono. Aquele lugar tinha uma aparência triste, diferentemente do resto do mundo que parecia pulsar cheio de vida.
Deita-se na pedra, olhando desta vez para o céu e brincando de inventar constelações. Um gato torto, um acrobata circulando algumas roseiras, uma raposa brincando com um enorme cachorro de duas cabeças. O céu estava extremamente vívido, pulsando de vida com todos aqueles pensamentos e sentimentos que escapam dos seres viventes enquanto eles dormem.
Olha para a cidade, e mais uma vez para a sua casa. Ela parece triste e sem vida, enquanto os pensamentos e sentimentos negativos que escapam por todos os lados formam aquelas nuvens que mais tarde fariam chover na cidade. A capa amarela, os sapatinhos vermelhos e as borboletas-comedoras-de-pensamentos-condensados eram as únicas coisas alegres do lugar, brilhando na noite escura e guiando os pensamentos felizes na direção das estrelas, onde já começavam a condensar. A névoa ficava mais espessa, o orvalho começava a pontilhar o mato alto e o céu tornava-se um pouco mais claro.
Sem dizer nada, a garota desce da pedra. E, olhando uma última vez para a pequena casa branca tolhida de pensamentos tristes e para as borboletas coloridas pousadas em alguns amores-perfeitos meio murchos, continua a descer o morro, recolocando o capuz da capa de chuva amarela e levando com sigo a bolsa azul-escura que contém apenas bolachas caseiras polvilhadas com açúcar e um celular de contatos zerados."

4 comentários:

  1. Adorei sua crônica, muito interessante! E seu blog também.
    Estou seguindo o seu blog, segue o meu?

    blog-da-mili.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, eu faço o possível, ASHAUHUS'

      Já estou seguindo, adorei o seu blog, muito fofo. Continue assim, viu? u.u

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  2. Amei a crônica!!!!

    whyalasca.blogspot.com

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    1. Muito obrigada, eu fico feliz que você tenha amado! ºwº

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