28 agosto 2014

Variedades: uma vida emocionante


Eu sempre quis escrever uma história que fizesse as pessoas reverem seus conceitos sobre suas vidas – afinal de contas, passei metade da minha desejando ser outra pessoa.
Você também já teve isso. Após ler Percy Jackson, Harry Potter, As Crônicas de Nárnia, O Mágico de Oz ou Alice no País das Maravilhas, todo mundo acaba pensando consigo mesmo que a vida é super chata e que desejava poder entrar na pele dos protagonistas.
E foi aí que, num dia comum da minha ex-vida chata, olhei para o céu e pensei: “e se eu fosse a protagonista das minhas próprias histórias?”. Fiquei repassando mentalmente o meu cotidiano, que sempre se baseou em ir na escola, conversar com pessoas com as quais eu conversava só para não ficar sozinha, voltar para casa, almoçar, passar o resto do dia vadiando (leia-se: comendo, dormindo, lendo e mexendo na internet) para então dormir, e recomeçar tudo de novo no dia seguinte.
- Ninguém vai querer ler essa merda – foi o que eu pensei, quando cogitei escrever uma história sobre isso.
Alguns meses se passaram.
Todos os dias, eu ouvia alguém dizendo coisas como “minha vida é uma droga” ou “estou me afogando em tédio”. Eu comecei a sentir raiva daquele tipo de comentário infeliz, mas não podia falar nada, afinal eu estava na mesma situação. Naquela época, eu já havia desistido de conversar com pessoas só para não ficar sozinha, e passava os intervalos na biblioteca, me afundando aos poucos numa semi-depressão causada pelas histórias muito maravilhosas que eu ficava lendo, mas que não podia viver.
E então, a bomba explodiu: “você vai ser operada em janeiro. Sua coluna está torta.”
Eu entrei em pânico, embora, obviamente, não tenha demonstrado a ninguém, por puro hábito. Até entrei na sala de cirurgia sorrindo (e a enfermeira percebeu, na hora de colocar o soro, que eu na verdade estava tremendo).
A operação passou. Eu, com 12 pinos de titânio na coluna, mal conseguia levantar meu (novo) próprio peso com aquelas duas varetas que chamamos de pernas. E, no hospital, eu cheguei à conclusão de que eu vivia uma vida muito emocionante. Mil vezes mais emocionante do que a vida de qualquer Harry Potter.
Afinal de contas, era a minha vida.
Eu passava minhas manhãs em grandes construções com perigosas aglomerações de seres humanos, chamadas “escolas”. Durante quatro horas, era instruída por grandes mestres sobre os mais diversos conhecimentos, como matemática e geografia. Ao chegar em casa, eu comia deliciosos quitutes, e passava o resto do meu dia lendo relatos incríveis de aventuras perigosas, comendo mais deliciosos quitutes, dormindo um sono tranquilo ou descobrindo novos mundos pela internet.
Nada mudou. Eu continuei indo para a escola (e ficando sozinha na biblioteca), estudando exaustivamente, almoçando e vadiando até a hora de dormir. Mas eu estava surpreendentemente bem com aquilo.
“Além do mais, deve ser super exaustivo salvar o mundo.”
Hoje, o meu cotidiano mudou um pouco. Por exemplo, eu não fico mais sozinha, e não converso com alguém só para não ficar sozinha - eu tenho uma amiga de verdade. E eu não fico o meu dia inteiro vadiando.

Mas a minha vida continua sendo muito emocionante.

6 comentários:

  1. Scrr, que texto lindo <3 Sério, achei muito emocionante e você escreve muitíssimo bem. Realmente inspirador, vou ler isso sempre que eu estiver pensando o que foi citado dsjfgskdjgf

    Beijos, kaorii.com!

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    1. Obrigada!~ ♥
      Eu me esforço para escrever o melhor possível. Fico feliz por saber que o texto acrescentou algo na sua vida, mesmo que um pequeno pensamento. ºwº

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  2. Adorei muito esse seu texto <3 Daria uma ótima autora *--* e como a clara disse você escreve muitíssimo bem!

    Abraços, Crazy Things

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    1. Muito obrigada! º3º Fico feliz ao ler isso, gosto muito de escrever... É gratificante saber que consigo agradar meus leitores. ^^

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  3. Ágata preciso agradecer à Deus por ter te colocado no meu caminho *blog*. Tô encantada no seu blog, no seu estilo de escrever e na sua criatividade. Menina, você é demais! E que bom que sua cirurgia deu certo e você continua vencendo batalhas diárias <3

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  4. É isso aí, Ágata! A vida não é como os livros que lemos, mas ela é emocionante e ainda melhor, porque existe e é nossa. Mas ainda temos a chance de experimentar novos mundos lendo, que é mágico!
    Beijinhos.

    Blog da Mili | blog-da-mili.blogspot.com.br

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