25 setembro 2015

Mensagem



 

A escuridão me cerca, suave, vinda de todos os lados possíveis.
É lua nova, e nada brilha no céu. Não há postes de luz, nem lâmpadas, nem mesmo lanterninha de celular. Não faço ideia de onde estou. Tenho consciência de mim mesma, parada, os braços pendendo frouxos ao redor do corpo – só.
 Ando devagar, estendendo os braços para ter certeza de que não vou colidir com nada. Sinto a barra da minha saia deslizar por minhas pernas conforme me locomovo. Abro e fecho os olhos, mas não faz diferença alguma.
"É uma questão de tempo", eu penso. Sento e espero. Minhas costas coçam, como se algo estivesse prestes a nascer dali – como asas. Algo em mim dói, mas não sei onde nem por quê.
Abro os olhos. As cobertas caem no chão com um baque surdo. A luz do sol entra pela minha janela, e eu ouço um barulho. Checo o notebook, que deixei ligado quando adormeci.
Uma nova mensagem.

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