29 setembro 2015

Sobre legalização do aborto


 "Apenas ter sentimentos agradáveis
Não são coisas humanas, certo?
Eu rio sem emoção..."
 
Realistic Logical Ideologist { www }
 
Só pra constar mesmo, eu tenho religião. Não vamos misturar as coisas, é muito feio. Legalização do aborto é política, sendo assim, opiniões religiosas devem ser educadamente deixadas de lado. É uma questão mais de ética do que de tudo. Só pra evitar treta nos comentários, okay? Isso se tiver algum comentário. Esses dias o blog tá paradão...Vamos fazer uma postagem diferente. Textos grandes, principalmente relacionados a assuntos polêmicos, afastam o povo todo. Eu vou escrever alguns tópicos falando das opiniões mais leigas a respeito do assunto, assim todo mundo fica mais informado. Certo? ♥ Quem ler tudo antes de vir comentar besteira ganha uma balinha de morango.


"Aborto é assassinato."
Gente, ninguém vai refutar isso. Sim, o bebê vai morrer. Mas, com a legalização do aborto, é muito mais improvável que a mãe aborte (e vamos abordar esse assunto mais no final do post).
Olha, vejamos. Sobre o negócio de dor. Existem vários estudos, e eu acho que não confio em nenhum deles. Um diz que o feto só sente dor após 24 semanas, outro diz que é após 20, e ainda existe um que usa o número 10. Todo mundo que acompanha muitas pesquisas científicas já conhece a regra pra esse caso: não confiar até surgir um estudo que refurte todos os outros. Não vamos usar essa pauta, por hora.

"Com pílula e camisinha, só engravida quem quer."
Não, amor. Não é assim que funciona. Em primeiro lugar, por mais incrível que pareça, ainda existe muita gente que não sabe que essas coisas existem. E, por mais incrível que pareça², muitos seguidores de religiões cristãs ainda acreditam que camisinha e pílula são pecado. Nesse caso eu acho muita covardia: não deixam a mulher usar métodos contraceptivos e depois não querem que ela aborte.
De resto, todo mundo bem informado sabe que métodos contraceptivos não são 100% eficazes. Existem até chás - chás! - que burlam o efeito deles. Até do anticoncepcional injetável! Antibióticos, antiepiléticos, anticonvulsivantes, certos diuréticos, antifúngicos e certos antirretrovirais...
Mesmo com pílula e camisinha, gravidez é possível, sim. E essa nem é uma porcentagem pequena!

"Se não quer engravidar não transe."
Não importa se você é contra a legalização do aborto: convenhamos que essa frase parece da época das cavernas!
É uma frase que culpa a mulher pela gravidez - não, mais que isso, culpa a mulher por ter uma vida sexual. Mais um tópico com interferência religiosa: a sexualidade feminina sempre foi vista como algo ruim, desde os primórdios. Mas, assim como o homem, a mulher tem direito de sentir tanto prazer quanto ela quiser, com quem ela quiser e quando ela quiser.
Aliás, sabiam que uma boa porcentagem das gravidezes indesejadas vem do fato de que o parceiro não quer usar camisinha? Tecnicamente, a culpa seria dele... Mas daqui a pouco vem gente falar que é culpa da mulher por aceitar essa condição, sem levar em conta toda a pressão psicológica que permeia uma situação dessas (ou até uso de violência física! É um absurdo, mas acontece).

"Ah, mas com a legalização vai ter um monte de mina usando o aborto como método contraceptivo."
Não, não vai. Com a legalização do aborto, a difusão de informação será maior, e um número cada vez maior de mulheres desistirá de abortar. Isso inclui essas garotas que sempre são injustamente usadas em argumentos esdrúxulos. Para lá de tudo isso, vocês acham que mulher é burra? Ninguém acorda pensando "ah, que lindo dia para abortar".


Muito bem, agora você leu tudo e continua com a mesma cara de tacho de antes. Não se preocupe, jovem gafanhoto, isso é perfeitamente normal.
Encarem a seguinte situação. Uma mulher pobre tem uma gravidez indesejada. Ela não quer ter um filho, mas por pressão familiar decide dar a luz. Mas sua família não tem condições de dar uma vida digna à criança, e ela vai ser mais uma nesse mar de pobreza que permeia o nosso país. Talvez tenha uma morte precoce, vítima dos mais diversos fatores. Se for uma mulher, talvez tenha uma gravidez indesejada e seja obrigada a dar a luz, repetindo o ciclo infinitamente. Se você sente o seu coração doer ao ver a pobreza, saiba que existe um meio de diminuí-la! Esta não é uma coisa feliz? ♥ Se a mãe usar a parca renda dela para se sustentar, ao invés de usá-lo tentando alimentar uma criança, talvez ela tenha uma vida melhor. É um fato.

Daí você diz: "ué, tia Aggy, essa parte é fácil. É só deixar a criança num orfanato, quando ela nascer."
Gente, orfanato não é a solução. Nem todas as crianças são adotadas. A maioria faz 18 anos e ainda não foi adotado, daí é literalmente posto pra fora do orfanato e obrigado a se virar. E nem vamos abordar temas como racismo, que influenciam na hora da adoção e só contribuem para que a criança seja completamente infeliz. Orfanato não é família, não dá amor nem educação. É quase um depósito de crianças.
E tem outro fator que pouca gente leva em conta. Acho uma pouca vergonha: a mãe da criança também importa! Uma série de fatores influenciam para que ela necessite não dar a luz, e simplesmente não queira esperar o bebê nascer para enfiá-lo num orfanato. O mais comum deles continua sendo psicológico, e eu imagino que não precise explicar. Meus leitores são inteligentes e sabem o que significa "empatia".

Vamos falar um pouco mais sobre isso?
O aborto é considerado um problema de saúde pública. Você pode ler mais sobre isso aqui, quero que esta seja uma postagem mais curta. O que importa é que, incrivelmente, bem menos pessoas morreriam se o aborto fosse legalizado.
Primeiramente: mais da metade das mulheres, em países onde o aborto é legalizado, desistem de abortar após receberem atendimento adequado. Mas a criminalização do aborto aqui no Brasil causa uma imensa falta de empatia e também de informação, o que aumenta drasticamente os casos de aborto.
Segundamente: com o aborto legalizado, as mulheres que decidirem que realmente querem abortar não vão morrer numa cirurgia de risco. Vejam bem, uma mulher que quer MESMO abortar vai abortar de qualquer jeito. Isso vale pra toda sorte de coisa - inclusive pra quando a sua mãe corta a sua internet e você dá um jeito de entrar no Facebook mesmo assim. É melhor que ela aborte de um jeito seguro, num hospital de qualidade, do que por meios ilegais, que podem acarretar na morte dela. Pensem na tristeza: mãe e filho mortos. Dois inocentes, não é mesmo? A mulher também seria uma vítima, já que ela foi induzida, através do sistema, a abortar sem nenhuma garantia de sobrevivência. Sempre acho que é melhor só um morrer do que dois.

Agora, falando do que todo mundo sabe: o governo atual está apenas evitando esse assunto. Alguma coisa relacionada a um comprometimento básico da presidenta com a bancada evangélica. ♥ E depois dizem que somos um estado laico *cof cof*.
De resto, aborto é legalizado em casos de estupro, mas praticamente nenhum lugar cumpre isso. A igreja influencia até nisso, gente. Em casos de estupro. É uma covardia imensa. Em muitos municípios (muitos, muitos mesmo) existem casos assustadores de gente que não faz nem a distribuição da pílula do dia seguinte para essas vítimas!





Dito isto, eu espero que você não acredite que a postagem é uma ofensa pessoal. Camarada, nunca tentei te ofender. ♥ Vamos ser amiguinhos e iniciar um debate totalmente civilizado. Isso se alguém comentar. Sério, o blog tá muito parado, é até assustador. Só pra constar, ninguém leva em conta a opinião de gente treteira - e sim, essa sou eu tentando evitar que o meu blog vire um poço de discussões. O mundo é lindo, vamos ser felizes! ♥

Um comentário:

  1. Eu concordo com você, mas penso que seria melhor analisar os casos de aborto antes de efetuá-los. Eu digo avaliar a situação da mãe, do pai, a renda e todos os outros fatores que contribuem para a sobrevivência da criança que a mãe vai gerar. Assim, tudo entraria em ordem e o país seria um lugar melhor. Mas é praticamente ilusão acreditar que isso pode acontecer, já que nem sobre o assunto os governantes abrem a boca.
    Sinto que os religiosos são machistas ás vezes. Não só eles, como a sociedade inteira. Por que a mulher tem que continuar sendo tão oprimida? Por que continuam impondo a ela regras, sendo que a liberdade de expressão é um direito e dever? Não entendo. Chega a ser profundamente decepcionante.

    Beijos! ♥ euforia poética

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