09 outubro 2015

Venda o seu cérebro para a sociedade

 
"Neste belo mundo de merda
Olhe para a frente e comece a marchar
Dancem, dancem todos
Vamos nos tornar idiotas!" 
This Fucked Up Beautiful World Exists for Me { www }

Sim, hoje o texto vai ter música introdutória. Achei que combinava com o que tenho a dizer por aqui.

As sociedades têm padrões. Todas elas, sem exceção.
Padrões físicos: magro, alto, baixo, pele branca, seios empinados, seios caídos, muitas curvas, poucas curvas, pés pequenos, braços compridos...
Padrões sociais: casado, cristão, pai, mãe, advogado, médico, dona de casa, simpático, alegre, trabalhador, heterossexual.
Padrões mentais: gostar de x time, ser contra y causa, ser livre de distúrbios quaisquer (bipolaridade, etc)...
Padrões que “devem” ser respeitados. E, se você não os respeita – e, mais ainda, assume isso publicamente – recebe uma enxurrada de abobrinhas em resposta. Todas indo contra o que você está fazendo com a sua vida.
Se você não tem uma mente forte o bastante, vai pensar em se render. Vai começar bem lentamente, quando a sua mãe dizer que essa camiseta tá muito estranha e que você deve trocar. Quando você perceber, já vai estar fazendo a faculdade que o seu pai mandar.
Ser rebelde não é algo ruim. Porque se rebelar é ir contra algo que se impõem, e isso sempre será sinônimo de força. As pessoas pintam a rebeldia como algo ruim porque não querem que você as desobedeça – que você se veja livre delas.
E é complicado, mesmo. A televisão te diz que você precisa se depilar, o rádio te diz que você precisa emagrecer, o padre te diz que você precisa ser heterossexual... Está por toda parte. Até a sua vizinha fará um comentário sutil: “nossa, o seu cabelo tá meio ressecado... Posso te passar um creme que...”. Você vai começar a ficar neurótico. Vai sentir vergonha de si mesmo e das suas ideias absurdas.
Daí, um dia, você decide resistir. Tente com algo simples: diga não (se você fez PROERD, não deve ser difícil) quando a sua mãe tentar te fazer trocar de camiseta. Leve um escudo medieval e, se não for muito caro pra você, uma armadura também.
Talvez você leve um ferro tão grande que decida sempre obedecer a sua mãezinha do coração. Mas isso vai inevitavelmente estragar a sua vida inteira. Você deve deixar de lado a impaciência (é chato pra caramba quando alguém vem vomitar regras em cima de você, mas não esgane a sua vizinha, poxa) e fechar seus sagrados ouvidinhos para esse tipo de coisa.
Porque, se tem uma coisa que eu aprendi com os mais de duzentos (assustador? Talvez) blogs que já tive: sempre vai ter alguém tentando te mudar. Tentando comprar seu cérebro por um preço muito barato. A mídia te fará escravo dela, apenas para lucrar mais. Ninguém quer a sua felicidade – todos precisam unicamente da própria comodidade. Comodidade esta que não pode ser alcançada se, ora bolas, um unicórnio drogado (porque os meus xingamentos são alternativos, beijo) feito você vier destruir todos os padrões perfeitamente alinhados que a sociedade criou!
E ainda vão ter a cara de pau de se defender dizendo que, nossa, eles só estão tentando te ajudar.
Não venda o seu cérebro. Você pode usar a roupa que quiser, do jeito que quiser, ir nos lugares que quiser à hora que quiser. Pode ser o esquisito, pode andar com “companhias estranhas”, pode dormir fora de casa, pode inclusive acordar cantando bom dia (coisa absurda nos dias de hoje, nossa, que tipo de pessoa em pleno século 21 não acorda mal humorado e reclamando da aula e do trabalho????). O povo vai te linchar, claro, e você deve ficar com alguns hematomas (a menos que tenha seguido o meu conselho e conseguido uma armadura e um escudo), mas vale a pela.

Um comentário:

  1. Me fez tão bem ler esse texto. Descobri seu blog hoje, e comecei a ler várias das suas postagens.
    Aliás, gostaria de dizer que estou apaixonada por seus textos.
    Esse, principalmente, me fez criar um sentimento de empatia enorme por ti. Sabe por quê?

    Eu nunca vi alguém, mesmo jovem, falar de forma tão sincera sobre tudo isso.
    Eu penso da mesma forma, e quando costumo conversar com amigos sobre tais coisas, sempre escuto que devo abaixar minha cabeça e ser exatamente o que minha mãe quer (eu sempre tive um relacionamento extremamente complicado com minha família, mas isso não vem ao caso agora) até eu poder ir embora de casa logo. Primeiro, eu sei que eles só dizem isso porque não querem que eu me machuque, mas é meio decepcionante que eles não sejam realmente sinceros, afinal, é isso o que eu espero de um amigo. Segundo, eles mesmos não o fazem.
    Eu costumo dizer que vou tentar, mas tenho medo. E eles costumam perguntar o por quê de eu ter medo. E é exatamente sobre o que você disse: tenho medo de perder minha essência, de ficar louca, de mudar completamente para me tornar alguém que eu não sou e no final ficar frustrada pela minha simples existência. Essa tal de rebeldia que tanto dizem que me domina não é nada mais do que a minha forma de lutar para ser quem eu sou. E isso não é errado. Não deveria ser errado querer abraçar quem você é e expressar sua própria essência. Eu não quero ser uma pedra polida para ser exposta e vendida em uma prateleira, prefiro ser uma pedra bruta, livre e selvagem, preservando minha natureza.


    adorei seu blog, vou ficar por aqui te acompanhando <3
    um abraço!
    https://lunanam.blogspot.com.br/ (vou deixar o link do meu blog aqui pra tentar manter um contato, mas já vou avisando que ele infelizmente tá bem abandonado :c )

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