27 março 2016

O peso do oceano


É gélido e escuro aqui embaixo. Água salgada e congelante faz pressão em cada parte do meu corpo, deixando-o pesado e dormente. Muito acima, há uma minúscula luz – o sol brilhando na superfície.
Não me recordo de como vim parar aqui, tão no fundo, sem respirar. Sem mover-me. Meus pulmões estão cheios de água, mas eu ainda não morri. Por quê?
Sacudo os braços, tentando subir um milímetro que seja. A água imediatamente empurra-me ainda mais para o fundo, zombando de minhas tentativas. Eu quase posso ouvi-la gargalhar:
“Está tudo em sua mente, menina tola.”
Sacudo-me, braços e pernas em todas as direções, tentando alcançar qualquer coisa que seja. Engulo ainda mais água. Algas envolvem meus tornozelos, suavemente deslizando sobre eles.
“Está tudo em sua mente”, prossegue a voz silenciosa, perfurando-me. “Por que você não pode simplesmente acordar?”
Meus pulmões ardem. Estou aqui há tanto tempo que sequer deveria estar viva. Mal sinto minhas pernas – congeladas, cansadas, firmemente atadas no lugar.
Respiro água, engulo água. Meus braços doem. O reflexo do sol, tantos metros acima de mim, sorri, convidativo e zombeteiro. Tudo dói. Estou viva, mas não deveria estar.

Está tudo em minha mente. Por que eu não posso simplesmente acordar?

2 comentários:

  1. Voltei ao mundo do blogger depois de 7 ou 8 meses e fico avassaladoramente feliz por saber que você ainda escreve e que está aqui! E escrevendo tão bem que ainda me humilha. Não sei se se lembra de mim, mas eu me lembro de você e ainda te adoro.
    Xoxo
    http://ja-ta-crescida.blogspot.com/

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    1. Gabi! ♥ Claro que eu me lembro de você! Senti muita falta dos seus textos. Que bom que voltou. Já passando pra conferir o seu blog! ♥ ♥ ♥

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