29 abril 2016

A garota na janela


Eu costumava acordar de madrugada, suando frio e assustada, por causa de um pesadelo. Eu olhava para o lado, mas a minha mãe estava dormindo – e de repente eu me sentia tão sozinha. Às vezes eu só olhava fixamente pro relógio, observando as horas passarem até pegar no sono.
Mas às vezes eu saía da cama, tomando cuidado pra não acordar ninguém. Eu ia até a janela e observava o lado de fora por entre as frestas na madeira. Eu conseguia ver algumas estrelas dali, mesmo com toda a iluminação da cidade. E eu adorava o fato de que era só eu contra o mundo naquele momento – o negrume do céu, os postes acesos como vaga-lumes mecânicos, e eu.
Hoje, quando penso nisso, sinto vontade de receber um abraço. É uma memória tão simples, tão frágil – de quando eu era uma boneca de vidro, prestes a quebrar, e nem mesmo sabia.
Quero receber um abraço, mas não há ninguém aqui. Então faço o mesmo de sempre. Vou para a janela.

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