08 janeiro 2017

Nublado e chovendo.

O dia foi ótimo. Dois episódios de duas séries que eu acompanho foram lançados, ambos muito bons, e eu estava nas nuvens. Isso foi o bastante para me deixar contente, saltitando pela casa e tagarelando a respeito das minhas teorias.
A noite caiu e, com ela, o meu humor. Aconteceram algumas coisas. Não são os maiores problemas do mundo, mas me deixam tão frustrada — eu sinto uma mistura horrível de inutilidade, impotência e ansiedade, me corroendo por dentro, me fazendo remoer coisas pequenas que eu deveria estar ignorando. Eu fiquei no escuro por algum tempo, debaixo das cobertas, ouvindo uma música triste e forçando o choro em uma tentativa de acabar com aquela sensação de uma vez. Não funcionou. Então eu peguei meu casaco e pulei a janela.
A noite está muito clara hoje. Mesmo com todas as luzes apagadas, consigo enxergar perfeitamente — mas o céu está tão nublado e não se vê nenhuma estrela. Está chovendo um pouco e eu não havia percebido antes. Eu fiquei agachada lá, observando aquele céu vazio, as plantas úmidas, o horizonte distante... Pensando em todas as besteiras que eu fiz e continuo fazendo, todas as tentativas aparentemente inúteis de provar que eu conseguia.
Minha mãe está sempre lá pra mim quando eu preciso dela — me abraçando, consolando e, às vezes, mandando a real. Meus amigos também, e eles são os primeiros que eu procuro quando estou em uma crise. Todos eles são adoráveis e eu os amo, mas, nesse momento, nada disso existe. Eles podem me dizer as coisas mais amáveis, dar os conselhos mais certos, mas nada vai conseguir me atingir agora. Talvez amanhã, quando eu acordar em um novo dia — mas não hoje.
Eu me pergunto se é muita ingratidão me sentir tão sozinha.
Como se não houvesse ninguém no mundo além de mim. E eu sei que há. Mais ainda, eu sei que as minhas preocupações são infundadas, eu sei como acabar com elas e eu sei o que está errado comigo. Mas pensar nisso simplesmente não funciona.

Eu queria tanto que alguém conseguisse me alcançar.

Um comentário:

  1. Eu lembro da época em que me sentia tão perdida como a personagem do seu conto - bem, ao menos eu espero que seja apenas um personagem. Eu vivia alheia à vida e aos amigos e pouco entendia sobre tudo o que passava. Vivendo numa cidade no meio do nada - literalmente -, um futuro pouco amistoso se abria a minha frente e eu só conseguia pensar "eu não devia estar aqui". Não passei por nenhum especialista na época, mas do pouco que sei, acho que passei por um quadro clínico de depressão. Choro, vontade de morrer e nada na vida que me trouxesse felicidade. Depois que saí da cidade, abandonei velhos e hábitos e passei a viver em São Paulo, meu humor subiu a saltos notórios. Hoje, fazendo faculdade no curso que sempre quis, vejo um futuro sorrindo para mim. E sorrio, danço com o sol, o vento, a chuva. Passei a ver que a vida não é fácil, aliás pelo contrário... É complicada pra xuxu! (Alguém ainda usa essa expressão?) Mas quando a gente passa a focar nas coisas simples e bonitas da vida, quando a gente percebe que seu dia pode tá uma bosta, mas no dia seguinte tudo está bem, passamos a ser menos ansiosos e esperar da vida apenas o que ela pode nos oferecer. E vivendo um dia de cada vez, a gente aprende, devagar e sempre a ser feliz. Hoje eu percebo que como dia a música, felicidade é só questão de ser. Um dia nublado, uma plantinha que finalmente vingou, o riso de um bebê. Quando a gente passar a dar foco pras coisas bonitas - e isso não inclui especificamente a aparência em si - nos tornamos felizes.
    "Eu desafio você a ter uma overdose de felicidade!"
    Selma ♥

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